"Em Fragmentos de um discurso amoroso (de/para Gabriel, [vírgula]) (2025), objetos cor-de-rosa plastificados estão dispostos em sete estreitas cantoneiras de alumínio. A ordem dos objetos segue uma espécie de lógica cromática, intensificando-se conforme o trabalho se aproxima do chão — como se participasse daquela brincadeira clássica: está frio, está quente, cheguei mais perto. Mais perto da própria origem, o chão da cidade em que as partes foram recolhidas. O ato de olhar para o chão, gesto anterior da obra, ganha outros significados a partir do título — que, sem hesitações, declara o amor como tema, incorporando o livro homônimo de Roland Barthes. Presta-se atenção ao chão da cidade para evitar olhar para frente, para não se encontrar por acaso com a linha dos olhos do outro. Ironicamente, o olhar desviado esbarra com aquilo que lembra ao outro: aquilo que se oferta. Fitas, celofane, embalagens, laços, sacolas: o universo dos vestígios gerados pelo afeto. Tanta coisa envolvida no ritual da oferta se torna lixo; o trabalho, feito a partir de diversos restos urbanos, transforma o fragmento através da dedicatória. A linguagem eterna e irreversível da plastificação faz com os objetos laminados aquilo que a memória faz com os detalhes do amor."
Ana Canellas

Tulio Costa
fragmentos de um discurso amoroso (para gabriel, [vírgula]), 2025
fragmentos de objetos encontrados (papéis, plásticos, fitas adesivas, fita de cetim, fitas plásticas decorativas, etiquetas adesivas, linha de costura, malha sintética, tule sintético, bexigas e presilha de cabelo de metal) selados em poliéster e cantoneiras de alumínio, 120 x 80 cm
foto: ana helena lima

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