“Pensando nas sacolas dobradas de Tulio Costa, sua existência está ligada ao cotidiano enquanto invólucro, enquanto continente. […] a dobra desvirtua o sentido utilitário, traz a visibilidade geométrica e introduz um cálculo, que em geral não notamos no cotidiano. A planificação da sacola pela plastificação, contraria seu volume inicial, criando outro sentido.” José Spaniol
“A todo momento pertencerá ao lembrar de uns aquilo que fora apagado, perdido ou esquecido por outros. A pensar nisso, o artista trapeiro Tulio Costa parte do colecionismo de restos das experiências da modernidade urbana para denotar o que a ele é importante, guardando consigo como lembrança. Em sua série Sacolas, o que é recorrentemente visto no chão – acessível, utilitário e inevitavelmente invisível – é carinhosamente recolhido em sua beleza intrínseca enquanto sacola de feira cor-de-rosa e deslocado de um espaço de esquecimento para o lembrar. Para além da ação do colecionador, que já atua à revelia do esquecer, esse novo olhar adotado pelos objetos dialoga com as ficções da memória. Isso porque, suas sacolas não apenas são retiradas de seu espaço convencional, como também passam por um processo imprevisível de reinvenção de sua forma plástica quando submetidas à plastificação.” Fernanda Pantuzzo
Tulio Costa. sacolas, 2022
sacolas de plástico seladas em poliéster, abraçadeiras de nylon, esticadores e cabo de aço
250 × 350 cm/42,6 × 30,3 cm (cada)
coleção particular, estados unidos