Após investir em extensas coleções de objetos cor-de-rosa e destiná-las à misteriosa figura de Gabriel, Tulio Costa inicia um novo tipo de comunhão em sua produção artística. Em Minha primeira tatuagem (2021), vídeo-performance na qual o nome de Gabriel ganha a forma de uma inscrição cor-de-rosa sobre a epiderme do artista, o que se expõe é uma espécie de devoção às relações que evidenciam o corpo como suporte de afetações indeléveis. Tendo a grafia inscrita voltada para si, o artista inverte a lógica de leitura das tatuagens convencionais, tornando-a legível para os próprios olhos. Aqui, Gabriel transforma-se em algo sempre a ser lembrado. Já na fotografia Cicatrizada [minha primeira tatuagem] (2022), uma leitura dinâmica do nome tatuado é oferecida ao público: centralizado sobre um recorte retangular de pele exposta, ele se transforma em cicatriz. Nessa dinâmica sutil, o corpo do artista vai se tornando parte indissociável de sua musa. O que se sabe sobre Gabriel é muito pouco, e, no entanto, seu rastro segue avolumando uma arqueologia desses afetos. Assim, ao lado de obras como Perra (2005), de Regina José Galindo, Eu, Gisberta (2015), de Hilda de Paulo e Consagrada (2021), de Panmela Castro, Tulio Costa compartilha a História da Arte com um grupo de artistas também interessadas por afetos impossíveis de serem ignorados.
rafael amorim

Tulio Costa
Cicatrizada [minha primeira tatuagem]
, 2022
Impressão jato de tinta de pigmento natural sobre papel de algodão em moldura pôster, 19 × 30 × 2 cm
crédito fotográfico: filipe berndt


Cicatrizada [minha primeira tatuagem], 2022
Impressão jato de tinta de pigmento natural sobre papel de algodão em moldura pôster, 19 × 30 × 2 cm
crédito fotográfico: filipe berndt

Cicatrizada [minha primeira tatuagem], 2022
Impressão jato de tinta de pigmento natural sobre papel de algodão em moldura pôster, 19 × 30 × 2 cm
crédito fotográfico: filipe berndt

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